quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Diário da vossa ausência (Parte 1)

E então despedimo-nos. Senti algo avassalador em mim... Uma espécie de tsunami que me lavava em lágrimas e me derrubava a cada pensamento, a cada passo. Olhei para trás, sentindo esperança que ela olhasse para mim, mas ela não o fez. Continuou o seu caminho firme, como se nada fosse capaz de a deitar abaixo. Já sem força, sentei-me à beira da estrada... Parecia chover. Estava completamente encharcada, e o chão também. Todas aquelas lágrimas eram tudo aquilo que vivemos durante 5 anos. As nossas saídas à noite, os nossos acampamentos, as nossas viagens, os nossos desabafos, as nossas palavras mais marcantes... Perdi a minha melhor amiga, e na semana anterior o meu namorado... Aquele que dizia que era para sempre e que íriamos construir a nossa vida lado a lado. Sim, as duas pessoas que melhor me faziam esboçar um sorriso, deixaram-me e eu, encontrava-me perdida, na verdade. Sentia-me o ser mais pequeno do mundo, e só queria ser levada dali para um sítio em que alguém me pudesse proteger, amar, estar ali comigo. Sentia-me sozinha...
Levantei-me e percorri um longo caminho até casa. Talvez tenha sido aí que me apercebi que estava completamente sozinha, sem ninguém com quem contar. Os meus pais estavam longe e eu não os queria preocupar com uma simples crise de adolescência... A verdade é que o facto de ter o oceano Atlântico a separar-me deles, também era mais um motivo para aquela chuva de lágrimas que se apoderou de mim todo o dia. Estava fraca, nostálgica, com saudades de casa...
Talvez tenham sido efeitos da faculdade. Talvez a fama e a popularidade se apodere das pessoas... Talvez toda essa fama e popularidade sejam mais importante do que eu mesma...
Foram tempos difíceis... Estava completamente perdida e já nem sabia como conciliar o curso de jornalismo com as atuações... Mas eu não podia ligar aos meus pais. Era o meu trabalho. Eu tinha de cantar para ganhar sustento... Tinha de me arranjar, sozinha. Estava sem cabeça nem para o curso, nem para os ensaios... Mas mesmo assim, continuei.
Parece que quando não temos as pessoas de que mais gostamos ao nosso lado, a nossa rotina torna-se mais repetitiva. Escola, ensaio, casa... Escola, ensaio, casa...'' Como é que é possível perder duas pessoas em menos de duas semanas? Sou assim tão ignorante? Insignificante? '' , e estas eram as perguntas que me bombardeavam a cabeça no meu caminho para casa. Sentia falta de um beijo, de um abraço, de um amo-te... Até tinha saudades de receber uma mensagem no meu telemóvel, nem que fosse só um '' adeus. '' ... As pessoas chegam à nossa vida, ensinam-nos a amá-las, mas não ensinam-nos a perdê-las. Sentia-me engolida pelo mundo, e essa ideia assustava-me cada vez mais...

Sem comentários:

Enviar um comentário