Pus-me a ler um texto numa aula de literatura que tinha como tema o amor trovadoresco. Incrível como os trovadores davam a vida pela sua amada e colocavam-na acima de todas as coisas. Quando caí em mim, estava sentada numa varanda olhando para o nada, fazendo uma comparação entre o que era o amor naquela altura e o que realmente é na atualidade.
As pessoas correm na rua, telemóveis junto ao ouvido, automóveis a passar, uma estrada num único sentido e ninguém se cruza. Vivem amarguradas com as dívidas que criaram enquanto casal e descarregam naquele que viria a ser o amor das suas vidas. Acendem a televisão e, sem diálogo, ouvem atentamente novidades sobre a crise. Acabam por casar-se com a Troika sem se aperceberem, deixando o suposto companheiro a dormir no sofá com a dívida da casa, do carro, do plasma e do tablet do filho. Muitos casamentos acabam afogados em dívidas, mal sabe o casal que acabará na fila do desemprego afogando-se ainda mais na crise de um sítio chamado portugal, ao qual designam de '' País ''.